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Um Mar de Foeders – Visitando a cervejaria Rodenbach

Apesar de ser fã número um da Bélgica e suas cervejas, ainda não conhecia a cidade de Roeselare, berço da cervejaria Rodenbach, famosa por suas cervejas de fermentação mista, conhecidas localmente por flemish ales.

Classicamente, essas cervejas são envelhecidas em grandes barris de madeira chamados foeders. Como não poderia ser diferente, embarquei para a viagem sem ter confirmação da visitação à cervejaria. A arte de conhecer cervejarias belgas exige paciência, espírito Indiana Jones e controle de ansiedade. Este último certamente eu não tenho.

A sorte cervejeira

cervejaria Rodenbach

Já estava no velho continente quando a confirmação chegou com exatos 7 dias de antecedência. A guia da cervejaria enviou e-mail comunicando que conseguiu me encaixar em uma visitação em inglês, oportunidade quase única, visto que normalmente as expedições são com grupos fechados e muitas vezes em francês ou flamenco.

O dia e horário da visitação encaixaram como uma luva no cronograma: exatamente na manhã que havia programado o traslado de Bruges para Vleteren, não custaria nada fazer um pit stop de fermentação mista. A sorte cervejeira estava comigo!

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Chegamos na cervejaria Rodenbach com meia hora de antecedência e, para variar, éramos os primeiros. No saguão onde aguardávamos já haviam três foeders, antecipando o que nos esperava e aumentando a expectativa. Fomos recebidos pela guia com a clássica e educada hospitalidade belga-cervejeira. Em poucos minutos de conversa agradável descobrimos que a guia falava sete línguas, inclusive português.

Alguns americanos chegaram e iniciamos o tour com um vídeo institucional, seguido de uma bela abordagem da cultura cervejeira do país. Confesso que não consegui prestar muita atenção, queria conhecer logo a cervejaria. Fim do vídeo. A porta da alegria se abriu e entramos.

Um mar de barris na cervejaria Rodenbach

Vimos de longe a sala de brassagem que, dessa vez, não era a atração principal. Passamos por alguns corredores e finalmente entramos no templo sagrado dos Flanders: um salão repleto de foeders. O primeiro que vi levava a numeração 165.

Questionada, a guia confidenciou que naquele momento haviam 290 dentro da cervejaria, mas que sempre havia alguns em manutenção. Era um mar de foeders. Para onde era possível caminhar ou olhar, havia um barrilzão cheio de cerveja.

Cada foeder recebe uma receita de cerveja de acordo com as características da madeira e o tempo previsto de envelhecimento. Ao final do período, que pode ser de seis meses a 2 anos, o mestre blendeiro analisa diversas amostras e define a combinação ideal entre elas para cada rótulo. É o sonho de todo cervejeiro: ganhar a vida bebendo cerveja.

Depois de passar por muitos outros foeders e uma parte histórica da cervejaria, voltamos ao saguão para o tasting. Na Rodenbach as cervejas são servidas em taças maiores, muito semelhante às taças de vinho. Ou seja, uma generosa taça de cerveja para cada degustação.

Hora da degustação

cervejaria Rodenbach

Logo que nos acomodamos, fomos servidos com uma taça de cerveja Rodenbach Classic (Flanders Red Ale – 5,2%), o carro chefe da cervejaria. Uma delícia que combina dulçor e azedume na proporção ideal. Brindamos com o casal que dividia a mesa conosco e, portanto, já éramos amigos. Na metade da taça descobrimos que eram de Napa Valley, na Califórnia e, claro, faziam vinho.

Enquanto nos davam uma aula de produção, recebemos a segunda taça da degustação: Rodenbach Grand Cru (Flanders Red Ale – 6%), que era ainda mais complexa que o primeiro rótulo. Estávamos contando aos californianos que fazíamos cerveja em casa quando a guia ouviu e se juntou à mesa.

Em português, nos contou que também faz suas cervejas em casa. A partir daí o tasting virou uma festa. Recebemos o terceiro rótulo: Rodenbach Alexander (Flanders Red Ale – 5,6%), considerada a obra-prima da casa, pois revela a complexidade de 2 anos de barril e é a cerveja base da Grand Cru.

Ainda havia cerveja nas taças quando chegou a “sobremesa”: Rodenbach Fruitage (Fruit Beer – 3,9%), uma azedinha com adição de frutas vermelhas. Neste momento se juntaram a nós dois executivos da Bavaria Brewing, grupo que é dono desta e outras cervejarias e estavam conhecendo a fábrica.

A conversa sempre seguia no rumo do mercado cervejeiro e de vinho ao redor do mundo. Estávamos bebendo com os chefes. As taças nunca ficavam vazias. Entre uma frase em português e outra em inglês, riamos muito. Todos trocaram contatos e prometeram visitas.

Com muito aperto no coração, fui obrigado a deixar as taças e nossos novos amigos porque o dever chamava. Como não podia deixar de ser, passei na loja, levei taças e algumas garrafas e parti para a próxima parada: Kasteel Brewery. A Bélgica é realmente magnífica.

 

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Escrito por Enzo Molinari

Administrador de empresas e amante da cultura cervejeira. Homebrewer, BJCP Provisional Judge e beer sommelier.

Escritor

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